segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

MÃES SÓ MORREM QUANDO QUEREM

MÃES SÓ MORREM QUANDO QUEREM

Eu tinha 7 anos quando matei minha mãe pela primeira vez.

Eu não a queria junto de mim quando chegasse à escola em meu
primeiro dia de aula. Eu me achava forte o suficiente para enfrentar os
desafios que a nova vida iria me trazer... Poucas semanas depois
descobri aliviado que ela ainda estava lá , pronta para me defender ,
não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam, como das
dificuldades instransponíveis da tabuada.
Quando eu fiz
14 anos , eu a matei novamente... não a queria me impondo regras ou
limites , nem me impedisse de viver em plenitude dos vôos
juvenis....Mas logo no primeiro porre , eu felizmente a redescobri viva,
e foi quando ela não só me curou da ressaca , como impediu que eu
levasse uma vergonhosa surra de meu pai.
Aos 18 anos,
achei que mataria minha mãe definitivamente , sem chances de
ressurreição. Entraria na faculdade , iria morar em república, faria
política estudantil, atividades em que a presença materna não caberia em
nenhuma hipótese.
Ledo engano:

Quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei a casa materna,
único espaço possível de guarida e compreensão.
Aos
23 anos me dei conta de que a morte materna era possível, apenas
requeria lentidão . Foi quando me casei , finquei bandeira de
independência e segui viagem. Mas bastou nascer o primeiro filho para
descobrir que o “bicho mãe” se transforma num espécime ainda mais
vigoroso chamado “AVÓ”.
Para quem ainda não viveu a experiência, Avó é mãe em dose dupla...

Apesar de tudo, continuei acreditando na tese da morte
lenta e demorada, e aos poucos fui me sentindo mais distante e autônomo,
mesmo que a intervalo regulares ela reaparecesse em minha vida ,
desempenhando papéis importantes e únicos, papéis que somente ela
poderia protagonizar...
Mas o final dessa história , ao contrario do que eu sempre imaginei, foi ela quem definiu :
Quando menos esperava , ela decidiu morrer.

Assim, sem mais, nem menos, sem pedir licença ou
permissão, sem data marcada ou ocasião para despedida. Ela simplesmente
se foi , deixando a lição que “As Mães são Para Sempre”.

Ao contrario do que sempre imaginei, são elas quem decidem o
quanto esta eternidade pode durar em vida , e o quanto fica relegado
para o etéreo terreno da Saudade.
Não sei... se a
vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que devemos amar as
pessoas enquanto elas estão por aqui... É por isso que temos que ama-la
sempre ! E não mata-la em vida... Nunca saberemos quando ela irá querer
partir...
O vazio que fica , nunca conseguiremos preencher...
Para quem ainda a tem do seu lado , Ame-a... Abrace-a sempre, dê-lhe colo...

E para quem já não a tem mais do seu lado...
Guarde suas lembranças no mais precioso dos baús... Mesmo onde ela
estiver , saiba que , sempre ela vai entender o recado ... E vai chorar
quando você chorar ... Vai sorrir quando você sorrir... Vai velar seu
sono , como fazia na época de criança ... Não espere ela partir para
lhe dar amor.
Um dia você vai descobrir que
talvez a pessoa que mais lhe amou na vida , foi ela ....
Incondicionalmente ... desde que você surgiu nesta vida...

Se ela estiver do seu lado, de-lhe um beijo e um abraço e
diga o que ela sempre quis ouvir: “MAMÃE, EU TE AMO! OBRIGADO POR VOCE
EXISTIR”.
E se Ela já não estiver mais do seu
lado ... Feche os olhos e faça uma prece , agradecendo pela vida e
também dizendo que a ama...

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